Fotojornalismo na Guerra

O fotojornalismo dentro de toda sua incumbência de transmitir as informações através de imagens fotográficas, se torna uma profissão bastante arriscada quando entra no âmbito da guerra, uma vez que os profissionais dessa área estão a quase todo instante cercados pela morte. A busca por registrar o fato que será lembrado para sempre contrasta com a adrenalina de estar dentro de um campo de batalha. É justamente nesse momento em que está com a câmera na mão, pronto para para captar a conjuntura, que o fotógrafo parece entrar em transe, cria uma espécie de universo paralelo próprio, se desconectando de todo o resto, para o que pode ser o registro de um momento histórico. 


Estar na guerra em meio a esse cenário de destruição torna ainda mais considerável o trabalho exercido por esses profissionais, mostrando o sofrimento das pessoas, toda a devastação causada pela guerra, os soldados nos campos de batalha, e tudo que estiver relacionado com o conflito em si. É preciso reconhecer a relevância de vários nomes do fotojornalismo, e como eles contribuíram para o desenvolvimento da profissão, e seus trabalhos tiveram papéis fundamentais no sentido histórico, para que essa ilustração de momentos extremos pudesse complementar a contextualização como uma forma dos objetos de estudo, e como foram primordiais para o avanço da imprensa.



Roger Fenton



Advogado com vocação artística, Fenton pulou da pintura para a fotografia.
(Foto: Roger Fenton, Autorretrato)

Um dos primeiros fotógrafos de guerra com enfoque jornalístico, o britânico Roger Fenton (1819-1869) foi enviado pelo governo de seu país para cobrir a Guerra da Crimeia (1853-1853). Suas fotografias se baseavam por enaltecer o exército britânico, não mostrando o conflito propriamente dito. Um dos motivos que pode explicar essa questão é a limitação de seus equipamentos fotográficos, pois como os filmes eram pouco sensíveis e as lentes escuras, só havia a possibilidade de fotos estáticas.


Assistente de Fenton, Marcus Sparling, sentado na carroça que servia de laboratório e que também transportava todo o equipamento fotográfico. (Foto: Roger Fenton)


Conhecida como "O vale da sombra da morte", essa fotografia da estrada coberta por balas de canhão é uma das mais famosas de Fenton. (Foto: Roger Fenton)


Em seu momento de descanso, oficiais do 90º regimento de infantaria posam para a foto. A limitação técnica dos equipamentos exigia que os personagens permanecessem parados por segundos intermináveis para o registro perfeito da fotografia. (Foto: Roger Fenton)


Robert Capa



Testemunha dos principais conflitos bélicos do século XX, o fotojornalista Robert Capa ajudou a construir o imaginário visual de guerra contemporâneo. (Foto: Gerda Taro)


Nascido na capital húngara, Budapeste, Robert Capa (1913-1954) foi o primeiro fotógrafo a fazer registros durante as batalhas. Não era conhecido pela beleza em suas fotografias, mas por colocar a própria vida em risco para ficar o mais próximo possível do episódio. Vivia não apenas com, mas, como os soldados, usando roupa de combatente e chegando ficar meses na linha de frente lado a lado a eles. Costumava dizer:


"Se as fotografias não são suficientemente boas, é porque não se está suficientemente perto"



Entre as suas coberturas fotográficas estão a Guerra Civil Espanhola, a Segunda Guerra Mundial, a Guerra Sino-Japonesa e a Guerra da Indochina. Foi também um dos fundadores da agência Magnum, sendo considerado um dos maiores fotojornalistas de todos os tempos.



Foto histórica "Morte de um Miliciano" ou "Soldado Caindo", registrada por Capa em 1936 no início da Guerra Civil Espanhola, no instante em que o homem foi atingido por um tiro. (Foto: Robert Capa)


Capa registra soldado de um grupo de reconhecimento atuando na Sicília, Itália, em 1943.
(Foto: Robert Capa)

Desembarque das tropas aliadas na Normandia em 6 de junho de 1944, que ficaria conhecido como o dia D, com a invasão da França ocupada a partir do Canal da Mancha, os aliados travaram a batalha decisiva contra os nazistas para o fim da Segunda Guerra Mundial. (Foto: Robert Capa)



Comercial que narra a história de Robert Capa sob o ponto de vista de sua câmera, e mostra a relação entre os dois ao longo de anos juntos nos campos de batalha.








James Nachtwey



  Influenciado pela foto de Nick Ut, da menina vietnamita correndo nua com o corpo 
   queimando pela bomba de Napalm em 1970, na Guerra do Vietnã (1955-1975),
     descobriu sua vocação. "Foi uma poderosa denúncia de guerra, da crueldade e da 
injustiça. Decidi seguir esta tradição". (Foto: Autor desconhecido)


O norte-americano James Nachtwey (1948) é considerado um dos maiores fotógrafos documentais da atualidade. Seus trabalhos têm como objetivo buscar histórias reais, com enfoque nos problemas sociais, para que todos tomem conhecimento e possam refletir sobre a crueldade no mundo. Nachtwey disse uma vez:


"Eu tenho sido uma testemunha, e estas imagens são meu testemunho. Os eventos já registrados não devem ser esquecidos e não devem ser repetidos".



Cobriu os conflitos civis na Irlanda do Norte em 1981, foi o primeiro trabalho internacional, a partir daí destinou-se a guerras e questões sociais (como a AIDS e a fome). Dedicou-se a lugares longínquos como diversos países africanos e asiáticos, cobrindo por mais de 20 anos boa parte das tensões bélicas da segunda metade do século XX.



Em Ruanda, 1993, homem hutu que não apoiou o genocídio tinha sido preso no campo de concentração, e atacado com facões. Ele conseguiu sobreviver depois que foi libertado e ficou sob os cuidados da Cruz Vermelha. (Foto: James Nachtwey)



Nachtwey estava em seu apartamento em Manhattan no momento do ataque às torres gêmeas em 11 de Setembro de 2001, e registrou a torre sul em colapso, atrás da cruz no topo da igreja de Saint Peter, em Church Street e Barclay.
(Foto: James Nachtwey)


Sebastião Salgado



Decidiu trocar a economia pela fotografia em 1973, depois de levar a câmera de sua mulher para uma viagem à África. Viajou pela América Latina entre os anos de 1977 a 1984, chegando a ir a pé a povoados remotos.
(Foto: Autor desconhecido)

"Acredito que uma pessoa comum pode ajudar muito, não apenas doando bens materiais, mas participando, sendo parte das trocas de ideias, estando realmente preocupada sobre o que está acontecendo no mundo"



Sebastião Salgado (1944), mineiro de Aimorés, é considerado um dos maiores e mais respeitados fotógrafos da atualidade. Reconhecido internacionalmente, ganhou quase todos os prêmios de fotografia. Adepto de fotos inteiramente em pretos e branco, Salgado busca em seu trabalho retratar o mundo de uma forma mais ampla, mostrando o lado humano através de imagens que testemunham os protestos, a guerra, a pobreza, entre outras desigualdades. Além de ter fundado em 1994 a "Agência Amazonas Images", onde divulga seus trabalhos.


"Não trabalho com a miséria, mas com as pessoas mais pobres. Elas são muito ricas em dignidade e buscam, de forma criativa, uma vida melhor. Quero com isso provocar um debate. A nossa sociedade é muito mentirosa. Ela prega como sendo única a verdade de um pequeno grupo que detém o poder".



Salgado registra pessoas que estão sempre em fuga, seja da guerra, da pobreza, da fome ou da miséria. Essas pessoas buscam ter uma vida minimamente digna. (Foto: Sebastião Salgado)


   Registro feito por Sebastião Salgado em 1996, de uma menina de 5 anos. Ao lado
    dos pais, andou pelo interior do Paraná em busca de um lote de terra. Essa imagem
     acabou virando capa de livro e ganhou espaço na mídia, em museus e em galerias
do Brasil e do exterior. (Foto: Sebastião Salgado)


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