Manipulação

  Em tempos de era digital, até onde vai a manipulação de imagens quando se entra no âmbito do fotojornalismo. Quais os limites aceitáveis da manipulação nos veículos comprometidos com a verdade?

O que é comum nos discursos de profissionais da área é a necessidade de manter o sentido original da cena, em especial através da proibição tanto da adição quanto da remoção de elementos da fotografia. Alterar o quadro com a manipulação de pixels ataca fortemente a ética jornalística.

O fotojornalismo é uma composição de imagens que sintetizam o fato. É a linguagem fotográfica para transmitir uma informação, e não apenas ilustrar uma notícia. A veracidade é a principal responsável pela valorização da imagem e quanto mais informações o leitor tiver sobre o processo de escolha e processamento de uma foto, mas autêntica ela vai parecer.

Quando houve a primeira ilustração publicada a partir de um registro fotográfico, a manipulação de fotografias passou a se tornar uma preocupação, em 1842.

Antes da chegada de imagens digitais, já acontecia à retirada de pessoas indesejadas, ou objetos que atrapalhavam os objetivos da fotografia. Essas manipulações aconteciam muito na União Soviética. Através de uma pesquisa descobriram que os governantes manipulavam as fotografias para demonstrar uma posição de triunfo perante o povo que governavam.

Um exemplo o que ocorria na União Soviética sobre manipulação de imagens.

A fotografia original a seguir foi tirada em uma das aparições de Lênin, chefe de estado russo, e mostrava centenas de pessoas ouvindo o líder. Na versão manipulada, o número de ouvintes se multiplicou.


Discurso de Lênin (Imagem Normal)


Discurso de Lênin (Imagem Manipulada)

 
  Algumas manipulações ainda são aceitáveis, mas sem exageros. Como por exemplo, o corte para reenquadramento, o ajuste básico de tons, cores, saturação e luminosidade e a conversão para preto e branco.

A manipulação – no caso específico do fotojornalismo – interfere na realidade dos fatos. Elementos podem ser acrescentados ou excluídos, dependendo da intenção de quem altera. Esse tipo de prática é eticamente condenada no fotojornalismo e traz conseqüências: o veículo de comunicação perde a credibilidade e o profissional assume a responsabilidade pela adulteração, como determina o Código de Ética dos Jornalistas.


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