Em 1952 é lançada a "Revista Manchete" no Rio de Janeiro por Adolpho Bloch. Foi considerada a segunda maior revista brasileira de sua época, vindo atrás somente da revista "O Cruzeiro". Era uma revista ilustrada semanalmente e utilizava como principal linguagem, o fotojornalismo.
Nos primeiros anos da sua existência, já mostrava ser uma revista inovadora e seus colaboradores, funcionários e equipes dos jornalistas tinham nomes fortes como: Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Manuel Bandeira entre outros. O fotógrafo Jean Manzon era responsável pelas imagens principais da revista.
Manchete tinha uma rapidez no processamento do material e na impressão em colocar nas bancas, e também na rapidez sem cair as qualidades das fotografias, sendo que a qualidade era apuração jornalística. No seu início a revista já apostava no que seria uma das suas principais características: A cobertura carnavalesca do Estado do Rio de Janeiro.
Em poucas semanas chegou a ser a revista semanal mais vendida do país. A Manchete foi aos poucos, nos anos 50 batendo O Cruzeiro em vendas e atração.
No ano de 2000 a revista parou de circular, pois a empresa entrou em delírio por tentar competir com a globo e nisso a editora Bloch havia falido.
A primeira edição da Revista, 1952
Ultima edição da Revista Manchete N°2,519, ano 2000
Em tempos de era digital, até onde vai a manipulação de imagens quando se entra no âmbito do fotojornalismo. Quais os limites aceitáveis da manipulação nos veículos comprometidos com a verdade?
O que é comum nos discursos de profissionais da área é a necessidade de manter o sentido original da cena, em especial através da proibição tanto da adição quanto da remoção de elementos da fotografia. Alterar o quadro com a manipulação de pixels ataca fortemente a ética jornalística.
O fotojornalismo é uma composição de imagens que sintetizam o fato. É a linguagem fotográfica para transmitir uma informação, e não apenas ilustrar uma notícia. A veracidade é a principal responsável pela valorização da imagem e quanto mais informações o leitor tiver sobre o processo de escolha e processamento de uma foto, mas autêntica ela vai parecer.
Quando houve a primeira ilustração publicada a partir de um registro fotográfico, a manipulação de fotografias passou a se tornar uma preocupação, em 1842.
Antes da chegada de imagens digitais, já acontecia à retirada de pessoas indesejadas, ou objetos que atrapalhavam os objetivos da fotografia. Essas manipulações aconteciam muito na União Soviética. Através de uma pesquisa descobriram que os governantes manipulavam as fotografias para demonstrar uma posição de triunfo perante o povo que governavam.
Um exemplo o que ocorria na União Soviética sobre manipulação de imagens.
A fotografia original a seguir foi tirada em uma das aparições de Lênin, chefe de estado russo, e mostrava centenas de pessoas ouvindo o líder. Na versão manipulada, o número de ouvintes se multiplicou.
Discurso de Lênin (Imagem Normal)
Discurso de Lênin (Imagem Manipulada)
Algumas manipulações ainda são aceitáveis, mas sem exageros. Como por exemplo, o corte para reenquadramento, o ajuste básico de tons, cores, saturação e luminosidade e a conversão para preto e branco.
A manipulação – no caso específico do fotojornalismo – interfere na realidade dos fatos. Elementos podem ser acrescentados ou excluídos, dependendo da intenção de quem altera. Esse tipo de prática é eticamente condenada no fotojornalismo e traz conseqüências: o veículo de comunicação perde a credibilidade e o profissional assume a responsabilidade pela adulteração, como determina o Código de Ética dos Jornalistas.
O fotojornalismo dentro de toda sua incumbência de transmitir as informações através de imagens fotográficas, se torna uma profissão bastante arriscada quando entra no âmbito da guerra, uma vez que os profissionais dessa área estão a quase todo instante cercados pela morte. A busca por registrar o fato que será lembrado para sempre contrasta com a adrenalina de estar dentro de um campo de batalha. É justamente nesse momento em que está com a câmera na mão, pronto para para captar a conjuntura, que o fotógrafo parece entrar em transe, cria uma espécie de universo paralelo próprio, se desconectando de todo o resto, para o que pode ser o registro de um momento histórico. Estar na guerra em meio a esse cenário de destruição torna ainda mais considerável o trabalho exercido por esses profissionais, mostrando o sofrimento das pessoas, toda a devastação causada pela guerra, os soldados nos campos de batalha, e tudo que estiver relacionado com o conflito em si. É preciso reconhecer a relevância de vários nomes do fotojornalismo, e como eles contribuíram para o desenvolvimento da profissão, e seus trabalhos tiveram papéis fundamentais no sentido histórico, para que essa ilustração de momentos extremos pudesse complementar a contextualização como uma forma dos objetos de estudo, e como foram primordiais para o avanço da imprensa.
Roger Fenton
Advogado com vocação artística, Fenton pulou da pintura para a fotografia. (Foto: Roger Fenton, Autorretrato)
Um dos primeiros fotógrafos de guerra com enfoque jornalístico, o britânico Roger Fenton (1819-1869) foi enviado pelo governo de seu país para cobrir a Guerra da Crimeia (1853-1853). Suas fotografias se baseavam por enaltecer o exército britânico, não mostrando o conflito propriamente dito. Um dos motivos que pode explicar essa questão é a limitação de seus equipamentos fotográficos, pois como os filmes eram pouco sensíveis e as lentes escuras, só havia a possibilidade de fotos estáticas.
Assistente de Fenton, Marcus Sparling, sentado na carroça que servia de laboratório e que também transportava todo o equipamento fotográfico. (Foto: Roger Fenton)
Conhecida como "O vale da sombra da morte", essa fotografia da estrada coberta por balas de canhão é uma das mais famosas de Fenton. (Foto: Roger Fenton)
Em seu momento de descanso, oficiais do 90º regimento de infantaria posam para a foto. A limitação técnica dos equipamentos exigia que os personagens permanecessem parados por segundos intermináveis para o registro perfeito da fotografia. (Foto: Roger Fenton)
Robert Capa
Testemunha dos principais conflitos bélicos do século XX, o fotojornalista Robert Capa ajudou a construir o imaginário visual de guerra contemporâneo. (Foto: Gerda Taro)
Nascido na capital húngara, Budapeste, Robert Capa (1913-1954) foi o primeiro fotógrafo a fazer registros durante as batalhas. Não era conhecido pela beleza em suas fotografias, mas por colocar a própria vida em risco para ficar o mais próximo possível do episódio. Vivia não apenas com, mas, como os soldados, usando roupa de combatente e chegando ficar meses na linha de frente lado a lado a eles. Costumava dizer:
"Se as fotografias não são suficientemente boas, é porque não se está suficientemente perto"
Entre as suas coberturas fotográficas estão a Guerra Civil Espanhola, a Segunda Guerra Mundial, a Guerra Sino-Japonesa e a Guerra da Indochina. Foi também um dos fundadores da agência Magnum, sendo considerado um dos maiores fotojornalistas de todos os tempos.
Foto histórica "Morte de um Miliciano" ou "Soldado Caindo", registrada por Capa em 1936 no início da Guerra Civil Espanhola, no instante em que o homem foi atingido por um tiro. (Foto: Robert Capa)
Capa registra soldado de um grupo de reconhecimento atuando na Sicília, Itália, em 1943. (Foto: Robert Capa)
Desembarque das tropas aliadas na Normandia em 6 de junho de 1944, que ficaria conhecido como o dia D, com a invasão da França ocupada a partir do Canal da Mancha, os aliados travaram a batalha decisiva contra os nazistas para o fim da Segunda Guerra Mundial. (Foto: Robert Capa)
Comercial que narra a história de Robert Capa sob o ponto de vista de sua câmera, e mostra a relação entre os dois ao longo de anos juntos nos campos de batalha.
James Nachtwey
Influenciado pela foto de Nick Ut, da menina vietnamita correndo nua com o corpo queimando pela bomba de Napalm em 1970, na Guerra do Vietnã (1955-1975), descobriu sua vocação. "Foi uma poderosa denúncia de guerra, da crueldade e da injustiça. Decidi seguir esta tradição". (Foto: Autor desconhecido)
O norte-americano James Nachtwey (1948) é considerado um dos maiores fotógrafos documentais da atualidade. Seus trabalhos têm como objetivo buscar histórias reais, com enfoque nos problemas sociais, para que todos tomem conhecimento e possam refletir sobre a crueldade no mundo. Nachtwey disse uma vez:
"Eu tenho sido uma testemunha, e estas imagens são meu testemunho. Os eventos já registrados não devem ser esquecidos e não devem ser repetidos".
Cobriu os conflitos civis na Irlanda do Norte em 1981, foi o primeiro trabalho internacional, a partir daí destinou-se a guerras e questões sociais (como a AIDS e a fome). Dedicou-se a lugares longínquos como diversos países africanos e asiáticos, cobrindo por mais de 20 anos boa parte das tensões bélicas da segunda metade do século XX.
Em Ruanda, 1993, homem hutu que não apoiou o genocídio tinha sido preso no campo de concentração, e atacado com facões. Ele conseguiu sobreviver depois que foi libertado e ficou sob os cuidados da Cruz Vermelha. (Foto: James Nachtwey)
Nachtwey estava em seu apartamento em Manhattan no momento do ataque às torres gêmeas em 11 de Setembro de 2001, e registrou a torre sul em colapso, atrás da cruz no topo da igreja de Saint Peter, em Church Street e Barclay. (Foto: James Nachtwey)
Sebastião Salgado
Decidiu trocar a economia pela fotografia em 1973, depois de levar a câmera de sua mulher para uma viagem à África. Viajou pela América Latina entre os anos de 1977 a 1984, chegando a ir a pé a povoados remotos. (Foto: Autor desconhecido)
"Acredito que uma pessoa comum pode ajudar muito, não apenas doando bens materiais, mas participando, sendo parte das trocas de ideias, estando realmente preocupada sobre o que está acontecendo no mundo"
Sebastião Salgado (1944), mineiro de Aimorés, é considerado um dos maiores e mais respeitados fotógrafos da atualidade. Reconhecido internacionalmente, ganhou quase todos os prêmios de fotografia. Adepto de fotos inteiramente em pretos e branco, Salgado busca em seu trabalho retratar o mundo de uma forma mais ampla, mostrando o lado humano através de imagens que testemunham os protestos, a guerra, a pobreza, entre outras desigualdades. Além de ter fundado em 1994 a "Agência Amazonas Images", onde divulga seus trabalhos.
"Não trabalho com a miséria, mas com as pessoas mais pobres. Elas são muito ricas em dignidade e buscam, de forma criativa, uma vida melhor. Quero com isso provocar um debate. A nossa sociedade é muito mentirosa. Ela prega como sendo única a verdade de um pequeno grupo que detém o poder".
Salgado registra pessoas que estão sempre em fuga, seja da guerra, da pobreza, da fome ou da miséria. Essas pessoas buscam ter uma vida minimamente digna. (Foto: Sebastião Salgado)
Registro feito por Sebastião Salgado em 1996, de uma menina de 5 anos. Ao lado dos pais, andou pelo interior do Paraná em busca de um lote de terra. Essa imagem acabou virando capa de livro e ganhou espaço na mídia, em museus e em galerias do Brasil e do exterior. (Foto: Sebastião Salgado)
Dois anos após a segunda guerra mundial, em 1947 é fundada a primeira agência fotográfica da historia ,a Magnum Fundada por Robert Capa, Henri Cartier, David Seymour e George Rodger, quatro bons fotógrafos tinha em foco um fotojornalismo livre do poder, assim os fotógrafos como eles tinham mais liberdade para fazer suas fotos.
A agência foi formada para permitir que eles e que os grades fotógrafos depois deles pudessem trabalhar fora do que pedia o jornalismo de revista . Foi fundada como uma cooperativa em que a equipe iria apoiar mais que dirigir os fotógrafos. O primeiro escritório da Magnum surgiu em Paris, em um apartamento de quarto e sala da rua Faubourg Saint-Honoré, com instalações de baixa qualidade e um telefone.
A agência fez muito sucesso e teve muita repercussão,alguns anos depois se juntou a Magnum mais quatro fotógrafos europeus e americanos, entre eles Cornel Capa, irmão de Robert Capa.
Na Magnum são os fotógrafos associados a ela que decidem os rumos e as origens dos trabalhos a serem realizados. A partir dessa experiência que deu certo, outras agências como esta foram surgindo em todo o mundo, como a agência F4 de São Paulo.
Hoje a Magnum mostra o mundo de uma forma muito real,através de suas fotos. Tem quatro escritórios editoriais em Nova York, Londres, Paris e Tóquio, e uma rede de 15 sub-agentes, Magnum Photos que fornecem fotografias para imprensa, editores, publicidade e televisão em vários lugares do mundo. Há 68 anos no mercado a agência Magnum, irmã mais velha das agências fotográficas, se matem bem perante aos concorrentes, e as mudanças do tempo na fotografia e na forma de fazer uma boa fotografia, e não vê motivos para fechar as portas. Com bons fundadores como Capa, só poderia durar muitos anos, e ao longo deles continuar sendo uma ótima agência.
Surgiu no Brasil em 1928 a revista “O Cruzeiro”, naquela
época as imagens produzidas por fotógrafos se tornavam mais que imagens.
Registravam os principais acontecimentos e marcou época. Nas décadas de 40 e
50, período de maior difusão da revista, surgiu o Fotojornalismo. Grande e
importante divisor de águas do jornalismo tradicional.
Com tiragem semanal e
circulação nacional, a revista se tornou naquela época um dos mais importantes
e influentes veículos de massa que o país já conheceu. No inicio da década de
40, incorporou o modelo de fotorreportagem, tornando-se pioneira na implantação
do fotojornalismo no Brasil.
Considero que o fotojornalismo é uma forma de representação
social historicamente determinada e, portanto, em constante transformação,
pois, tem a capacidade de expressar de formas distintas e com um único objetivo
o que aquela foto quer transmitir.
Há questionamentos de qual é o real papel social e dos
limites éticos de atuação dos profissionais da área tornou-se possível no
Brasil a partir do término da segunda guerra , do fim do estado novo em 1945.
A revista, que em 12 de agosto de 1944 trouxe uma reportagem
que tinha como principal focp Chico Xavier. Em dois momentos, a revista
expressa opinião própria e conduz o a reflexão com a foto que ilustra a
matéria.
Abaixo um trecho da revista “O Cruzeiro!, 1944)
“Era uma vez um moço ingênuo e feliz, vivendo numa cidadezinha
ingênua e feliz, perto de Belo Horizonte. O moço se chamava Francisco Cândido
Xavier e não desmentia o nome.”
Chico
Xavier, ficou conhecido pela fama de profeta que atraia turistas de varias partes do Brasil e exterior.
Foto: Jean Manzon